
O Museu de Portimão celebra este mês um ano de vida. O seu director, José Gameiro, revela, nesta entrevista, algumas das novidades que estão previstas para os próximos tempos.
De que forma vai ser festejado este primeiro ano de vida?
Vamos ter várias iniciativas entre os dias 16 e 18. No dia 16 vamos inaugurar uma exposição inédita de Manuel Teixeira Gomes enquanto coleccionador de pintura. É a primeira vez que um único museu apresenta uma grande parte da sua colecção que, na altura em que esteve no exílio, doou a vários museus portugueses. Outro momento interessante é a coincidência da Corrida Fotográfica, que se realiza no dia 16, com a Noite dos Museus. Vamos ter muitas surpresas, muitos encontros inesperados com criaturas estranhas que habitarão o museu nessa noite, ao som da música e da poesia. Vamos também visitar a parte mais desconhecida do grande público, a parte mais reservada, mais técnica do museu, o que é uma maneira de abrir as portas à comunidade e celebrar o nosso aniversário.
Ao longo deste primeiro ano, já passou por aí muita gente?
Felizmente, sim. Embora não estejamos a disputar um campeonato, é gratificante ver que estamos numa situação muito interessante a nível nacional, em termos de visitas. Tivemos quase 50 mil visitantes ao interior do museu, o que somando todas as iniciativas paralelas no Centro de Documentação, no auditório, no serviço educativo, o World Press Photo, dá cerca de 80 mil pessoas, o que nos deixa em 4º, 5º lugar a nível nacional.
Para além de portugueses, também há muitos estrangeiros a visitar o museu?
Sim, talvez 50% dos visitantes sejam estrangeiros.
Há pouco tempo foi celebrado um acordo com o Hotel da Penina, que permitia aos seus hóspedes visitar o museu gratuitamente. Esse acordo já está a dar frutos?
Já tivemos visitantes desse hotel, mas o mais interessante é que o protocolo desencadeou nos outros hotéis da zona um pedido de informação e o interesse em também aderir a esse projecto, o que me parece ser bastante positivo e abre um novo caminho no relacionamento entre os museus e o turismo, o que é, aliás, o tema deste ano do Dia Internacional dos Museus.
Isso significa que, a curto prazo, se pode esperar a assinatura de protocolos entre o museu e esses hotéis?
Exactamente, está este momento na forja, por exemplo, a assinatura de um protocolo com a cadeia TD Hotéis, que, em Portimão, conta com o Hotel Oriental.
O museu tem um livro no qual as pessoas podem deixar a sua impressão sobre a visita que efectuaram. De uma forma geral, que tipo de comentários deixam?
Em 90% dos casos saem bastante agradados com que o que viram. Também há reparos que são feitos e que tomámos em conta. Por exemplo, estamos a investir num audio-guia em várias línguas, que é, de facto, uma necessidade. Numa zona turística como esta temos que ter disponíveis audio-guias em, pelo menos, quatro ou cinco linguas.
Para além dessa questão, pode dizer-se que o museu é uma obra acabada ou há ideias e projectos para implementar nos próximos tempos?
Os museus apesar de serem instituições permanentes ao serviço da comunidade, têm de estar em constante evolução. Mesmo a exposição permanente, consideramos que é uma exposição evolutiva e, neste momento, estamos a preparar novos equipamentos que vão constituir uma surpresa na relação e na interpretação da própria exposição. E estamos a ultimar a loja do museu, que vamos abrir este ano, e também o concurso para a adjudicação do restaurante e da cafetaria da esplanada.