Feira do Retalho duas vezes ao ano
Posted March 31st, 2009 by jorge No Comments » Flexibom Light
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(Entrevista a Fernando Oliveira - Parte 3)
Como tem sido o relacionamento da ACRAL com a Câmara e a Associação Comercial de Portimão? Tem valido a pena a ‘super-associação’ (UAC) criada pelas três entidades?
Nesta fase do campeonato, posso dizer que sim, mas vamos esperar que as coisas comecem a funcionar a cem por cento para se poder aferir os resultados. Mas faz todo o sentido que caminhemos unidos, pois só assim conseguiremos dar a volta à situação difícil que atravessamos. Temos que começar a pensar em grande e não cada um para o seu lado, temos que perceber e transmitir a ideia de que o que é bom para um é bom para todos. Sei que isto não encaixa muito bem em certas mentalidades, mas nas conversas que tenho tido com alguns colegas, sinto que já há muitos a pensar dessa forma, que é preciso unir esforços.
Quando abre a sede da UAC?
Está para breve, mas ainda não há uma data concreta decidida.
Em termos de plano de actividades, o que há de mais relevante para este ano?
Em princípio, vamos continuar a desenvolver as actividades que habituais, integradas na Semana do Comércio em Festa, e queremos fazer mais alguns.
Uma das iniciativas que resultou melhor, pelo menos, em termos de facturação, foi a Feira do Retalho. Vai manter-se nos mesmo moldes ou há alterações previstas?
A Feira do Retalho caminha a passos largos para se fazer duas vezes por ano, mantendo-se no Verão e realizando-se uma segunda edição depois do Natal, no princípio de cada ano.
O projecto do Fórum Empresarial nunca chegou a avançar. É carta fora do baralho ou ainda tem esperança de o conseguir concretizar?
Está em lista de espera. Acredito que possa vir a ser construído, é uma necessidade para a classe empresarial da terra e por isso continuamos a tentar encontrar formas de viabilizar essa construção.A construção do Fórum era suposto ser a contrapartida do promotor de uma grande superfície e dizia-se que os outros que se quisessem instalar também teriam de dar contrapartidas ao comércio tradicional. Afinal, isso acabou por não se concretizar…
Acredito que ainda poderá concretizar-se, estou convicto que a autarquia salvaguardou os interesses dos comerciantes desta terra.
As grandes superfícies têm contribuído mesmo para o enterro do comércio tradicional ou tem-se exagerado nesse ‘papão’?
Não acho nada exagerada a crítica às grandes superfícies. Só o tempo o dirá se a aposta foi errada ou não, mas, segundo estudos que existem, sabemos que cada posto de trabalho criado numa grande superfície mata quatro no comércio tradicional.
Para além das acções de animação, que tipo de actividade desenvolve a ACRAL ao longo do ano?
Temos cursos de formação profissional, prestamos apoio jurídico e administrativo aos sócios e tentamos fazer ouvir a voz e os interesses dos comerciantes nos fóruns em que estamos representados.
Quando a ASAE começou a ‘atacar’ em força, as associações empresariais viram aumentar o seu número de sócios, pois os comerciantes sentiram que precisavam de apoio e aconselhamento. Isso continua a suceder?
Sim, temos recebido inscrições de novos sócios, mas também temos algumas desistências, fruto do encerramento de muitas lojas.
O enorme aumento de lojas de produtos chineses também tem afectado negativamente o comércio tradicional?
Não creio que tenha afectado muito, eu, pessoalmente, prefiro ver uma loja ocupada do que uma devoluta. O fecho de lojas não afecta só o comerciante, afecta também o senhorio do espaço e os trabalhadores. Os senhorios são pessoas de alguma idade que, em muitos casos, dependem daquela renda para viver…
Mas não lhe parece que também são culpados pelo fecho de muitas lojas? Alguns dos valores de rendas que se ouve falar são absurdos e não estão minimamente adequados à situação de crise que se vive.
Há de tudo, há rendas proibitivas por excesso e outras por defeito. Mas acho que já se ultrapassou a fase em que se pedia mundos e fundos por uma loja, o mercado encarregou-se de regular isso. Quem tem uma loja para arrendar se poder fazê-lo por 500 euros não vai cedê-la por 400, mas se não há quem fique com ela por esses valores tem que descer o preço e isso tem vindo a verificar-se nos últimos tempos.
Têm fechado muitas lojas?
Sim, têm fechado muitas lojas, muitas, mesmo.
O projecto da câmara de requalificação urbana do centro da cidade vai ser positivo para o comércio tradicional?
Nós temos alguma informação sobre o que está previsto, mas vamos esperar que esteja tudo cá fora para nos pronunciarmos com maior pormenor. As ideias-base são boas, vamos ver como resultam na prática. Espero que resultem porque a cidade precisa disso.
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