
(Entrevista a Fernando Oliveira - Parte 2)
A nível local, que medidas devem ser tomadas para evitar que o comércio morra todo no centro da cidade?
Há muitas medidas que podem ser tomadas. Nós, para além de identificar os problemas, também queremos indicar soluções. Por exemplo, toda a gente sabe que há uma falta de estacionamento tremenda no centro. Também sabemos que a medida adoptada pelo mercado municipal de oferecer estacionamento gratuio no seu parque na primeira hora tem resultado muito bem, pelo que seria de adoptar essa medida também nos parques de estacionamento do centro da cidade. Dessa forma, conseguiríamos trazer mais gente para a zona comercial, e com isso, que os comerciantes facturem mais. Mas também conseguiríamos dar mais vida ao centro da cidade e até, de alguma forma, contribuir para a diminuição da criminalidade…
Durante algum tempo, falou-se muito da criminalidade, havia notícias de assaltos quase todos os dias. Depois, as coisas pareceram acalmar, mas agora, voltou-se outra vez a ouvir falar, com insistência, de assaltos. É um problema preocupante nesta altura?
Sim, temos recebido muitas queixas dos nossos associados relativas à falta de policiamento nas ruas. Sabemos que não é possível ter um polícia para cada cidadão, mas também se constata que no centro da cidade não se vê polícias com frequência.
Em tempos vocês quiseram contratar vigilantes para melhorar a segurança. Isso não avançou porquê?
É um projecto que está ainda a ser estudado, mas ainda não estão reunidas todas as condições para que possa avançar.
Houve recentemente um assalto com num tipo de profissionalismo e armamento a que não estávamos habituados. Acha que se está a entrar num nível mais elevado e sofisticado de criminalidade?
Parece que sim e como dirigente associativo e cidadão, isso aflige-me, mas acho que se trata de uma tendência mais nacional do que local. É um fenómeno a que não estávamos realmente habituados nem preparados para enfrentá-lo.
Há muitos eventos em Portimão, que atraem muita gente, mas isso não parece beneficiar substancialmente o comércio tradicional. O que tem falhado a este nível?
Estão a ser tomadas algumas medidas, numa colaboração entre as associações e a autarquia, no sentido de criar elos de ligação e para que os comerciantes possam abrir os seus estabelecimentos de acordo com os eventos…
Isso é uma ‘guerra’ de há muitos anos. Continua a ser difícil convencer os comerciantes a abrirem os seus estabelecimentos fora dos horários tradicionais?
Acho que nesta altura de crise, há certas medidas que é mais fácil serem implementadas. Se em anos ‘bons’ fôssemos ter com os comerciantes a sugerir que mantivessem as portas abertas durante mais tempo, eles não estariam minimamente sensíveis a tal possibilidade. Agora, por questões de necessidade, para facturar mais, têm todo o interesse em ir por esse caminho.
Que tipo de comércio ainda é possível subsistir no centro da cidade?
As pessoas são um bocado enganadas ou iludidas quando vão a uma grande superfície e acabam muitas vezes por comprar artigos que não desejavam comprar e não têm a informação e o apoio mais correcto por parte de quem aí vende. Posso dar o meu caso particular, em que, por vezes, quando alguns clientes me pedem informação sobre se devem comprar um determinado produto, em face do conhecimento que tenho deles, digo-lhes não é o adequado para as suas necessidades. Ora, naturalmente, que este tipo de apoio e informação não lhes é dado nas grandes superfícies. Acho que o futuro do comércio tradicional passa também muito por aí, tem que evoluir, tem que haver um conhecimento do cliente, do produto, é a mais-valia que temos em relação às grandes superfícies.
Uma das queixas recorrentes é que é difícil encontrar estacionamento, se possível, gratuito no centro da cidade. É possível fazer alguma coisa para resolver este problema?
Há opções para minimizá-lo e isso não passa por fechar o centro ao tráfego automóvel. O que é preciso é repensar a questão do estacionamento à entrada da cidade, articulando-o com o transporte urbano. Por outro lado, é também necessário ter bons acessos ao centro e obviamente aí tentar encontrar algumas soluções de estacionamento automóvel.
Que outros trunfos podem jogar mão para atrair as pessoas ao centro?
Nós queremos alargar o período de realização de eventos e acções de animação, exactamente para dar às pessoas a ideia de vale sempre a pena vir ao centro da cidade. Estamos, por exemplo, a trabalhar no projecto de realização de exposições temáticas na Alameda, queremos também abrir o comércio às sextas-feiras à noite durante o período de Verão.
Têm notado alguma dinamização provocada pela abertura do teatro?
Ainda é muito cedo para termos alguns dados concretos, mas não tenho dúvidas que a abertura do teatro e a recuperação da Igreja do Colégio são aspectos positivos para a cidade.