Governo tem de tratar o Algarve de outra forma


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Antonieta Guerreiro é a única portimonense na Assembleia da República. Eleita pelo PSD, diz estar muito empenhada no trabalho de deputada e procura intervir em todos os assuntos que digam respeito ao Algarve. Relativamente a Portimão, considera que o problema maior do PSD é o facto, ao longo dos anos, os seus dirigentes não terem conseguido trabalhar em conjunto para o mesmo objectivo, ao contrário do que sucede no PS.

De uma forma geral, os cidadãos têm uma opinião negativa dos deputados, acham que trabalham pouco e ganham mais do que deviam. Pela experiência que adquiriu nos últimos tempos, pensa que essa ideia tem razão de ser ou é injusta?
No meu caso particular, farto-me de trabalhar, as pessoas não têm a noção de quanto um deputado empenhado pode trabalhar. Chego aqui por volta das 10 horas da manhã e saio às 9h40 da noite.

Foi fácil a adaptação a este novo ‘mundo’?
Devido à minha participação no movimento a favor da Regionalização, já tinha algum conhecimento do funcionamento da Assembleia da República. Como se tratava de um movimento nacional e havia gente de todos os partidos, as reuniões eram muitas vezes feitas aqui e por isso já conhecia minimamente os cantos à casa. Mas entrar pela primeira vez no plenário, como deputada, é realmente emocionante, é uma sala muito solene, muito bonita e há um sentimento muito forte de responsabilidade. Depois, é preciso conhecer todo o processo legislativo, parlamentar, as regras a utilizar, sobretudo no plenário.

A Antonieta e o seu colega Mendes Bota não votaram o Orçamento, optaram por sair do plenário nessa altura. O que os levou a tomar essa decisão?
Porque achámos que o Algarve tem de ser considerado de outra forma pelos partidos políticos e, em especial, pelo Governo. Nos últimos vinte anos uma das grandes linhas de orientação que se seguiu no país foi o de segmentar a economia. No Algarve só fazemos turismo, perdemos a agricultura e a pesca, ao contrário do que acontece em várias outras zonas do país em que continua a haver agricultura de subsistência. As pessoas podem não ter emprego, não ter salário ou subsídio de desemprego, mas têm um pequeno terreno onde plantam umas couves e umas batatas e no Algarve nem isso têm.

Que medidas é que este Orçamento deveria conter para começar a dar a volta a esse e outros problemas com que os algarvios se debatem?
Este Orçamento não tem nada de realismo. Nós perdemos no QREN [fundos comunitários] ao sair do objectivo 1 porque o Comité das Regiões olha para o Algarve como se fosse uma região rica e não é. Como é que pode ser uma região rica se na região há fome? Para além disso, agora perdemos no Orçamento e no PIDDAC [plano de investimentos directos do poder central]. A maior verba que existia para o Algarve era para areia para a praia…

Que iniciativas tem tido enquanto deputada a favor do Algarve?
Na Comissão do Ambiente, um tema de que falo sempre é no plano de ordenamento da orla costeira, que é uma área que está a meu cargo. Na Comissão de Saúde tenho-me batido pelo Hospital Central, pela questão do Centro de Saúde de Portimão e tenho também falado muito de toxicodependência, porque como trabalhei no GRATO - Grupo de Apoio aos Toxicodependentes, tenho conhecimento sobre a matéria. No domínio da educação, como fui dirigente associativa, também tenho algum know-how sobre o ensino superior. Mas, de uma forma geral, procuro estar atenta e participar em todas as questões que digam respeito ao Algarve

Relativamente a questões específicas de Portimão, já levou alguma ao Parlamento?
Levei a do Centro de Saúde de Portimão e há algumas outras questões que tenciono abordar, mas ainda estou a ponderar qual será a melhor forma de o fazer.

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This entry was posted on Thursday, April 22nd, 2010 at 11:53 and is filed under Entrevistas. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. Both comments and pings are currently closed.

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