Escultura de homenagem a Teixeira Gomes


Posted May 16th, 2010 by jorge No Comments »


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No próximo dia 27, vai ser inaugurada uma curiosa escultura alusiva à genealogia de Manuel Teixeira Gomes. Segundo apurámos, o monumento terá a estrutura de uma árvore, nela sendo colocados os ascendentes e descendentes do mais famoso portimonense de todos os tempos.
A cerimónia decorrerá na Casa Manuel Teixeira Gomes e é mais uma iniciativa integrada no programa comemorativo do 150º aniversário do escritor e político que chegou a presidente da República.
A árvore tem como base uma parte do extenso trabalho de pesquisa genealógica que o portimonense Nuno Inácio está a desenvolver. A inauguração da exposição será complementada por uma mini-conferência sobre a genealogia de Teixeira Gomes. O assunto voltará a ser exposto, mas de uma forma mais elaborada dois dias mais tarde, no mesmo espaço.
O trabalho de Nuno Inácio tem como base os registos de nascimento, casamento, baptismo e óbito. Munido desses documentos, vai construindo uma árvore de parentescos que, nesta altura, “já conta com cerca de 125 nomes” e envolve as freguesias de Portimão, Porches, Alferce, Monchique, S.Marcos da Serra e Albufeira. Tudo começou a partir do momento em que decidiu conhecer melhor a história da sua família e começou a recolher os elementos que o levaram a elaborar a sua própria árvore genealógica. Ganhou gosto à tarefa e foi por aí fora, levantando os registos de algumas das freguesias onde os seus antepassados tinham vivido. Às tantas, o projecto já tinha uma dimensão demasiado grande para ficar apenas no seu computador e resolveu solicitar apoio a algumas câmaras municipais do Algarve, no sentido de fazer o levantamento de cada um dos concelhos. Na generalidade, a receptividade tem sido “muito positiva”. Portimão foi das primeiras autarquias a chegar-se à frente, daí que nesta altura já esteja disponível, on-line, a árvore genealógica aos naturais da freguesia de Portimão. O resultado da pesquisa pode ser consultado na internet, no site: www.genealogiadoalgarve.com.
Neste momento, está a trabalhar na de Alvor, mas entretanto teve que se desdobrar com os dados relativos a Albufeira, que serão apresentados no próximo dia 9 de Junho. Deverão seguir-se as freguesias de Monchique e Lagoa.
Para além da curiosidade pessoal de se ficar a saber quem foram os ascendentes e descendentes de cada pessoa, o trabalho tem muitas outras potenciais utilizações. Os dados nele apresentados podem levar a desenvolver “estudos sobre demografia, migrações, evolução da esperança média de vida e mesmo sobre relações sociais e de classes”. Pode também servir para questões mais práticas como para proceder à habilitação de herdeiros ou permitir a legalização de estrangeiros descendentes de algarvios.
Um dos aspectos curiosos com que se deparou é que há muitos portimonenses descendentes de pessoas de Tânger. Também constatou existir um elevado número de casamentos de homens do Norte do país com mulheres de Monchique.
Um dos constrangimentos deste trabalho é o facto da legislação existente não permitir a consulta de dados pessoais nos últimos cem ano, o que significa que apenas pode tratar dos que se reportam até 1910. Um constrangimento que pode ser ultrapassado se os interessados lhe concederem autorização para utilizar os seus dados.

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Não há nada de novo debaixo do sol


Posted May 14th, 2010 by jorge No Comments »


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(Opinião - Jorge Eusébio)
Não devia ser surpresa para ninguém. E, na verdade, ninguém parece ter ficado surpreendido. É preciso dinheiro para tapar o défice e são os desempregados, os trabalhadores por conta de outrém e as pequenas e médias empresa que, como se sabe, estão bem na vida, que vão entrar com o grosso da maquia. Obviamente que não passou pelas superiores cabeças de José Sócrates e Passos Coelho ir obrigar, por exemplo, os bancos a pagar, pelo menos, aquilo que qualquer empresa normal paga de impostos.
No ano terrível de 2009, os cinco maiores bancos de Portugal tiveram lucros de 1.724 milhões de euros. Em comparação com 2008, baixaram apenas 0.3% e isto devido ao facto da Caixa Geral de Depósitos ter visto os seus lucros caírem 39% porque, no conjunto, os quatro privados (BES, BCP, BPI e Santander) tiveram um acréscimo de 14%.
Apesar destes excelentes resultados, entregaram menos 115 milhões de euros (-23%) ao Estado do que no ano anterior. Em 2008, a taxa efectiva de imposto pago pela banca tinha sido de 20,76% e, em 2009, desceu para 16,45%. Recordo que a taxa normal de IRC que qualquer empresa de vão de escada paga é 25%!!!
Mas estes dados não parecem ter escandalizado qualquer das geniais cabeças de políticos e economistas do sistema que têm (des)governado o país. Parece que está escrito na Bíblia, na Constituição e no Diário da República que é proibido pôr os bancos a contribuírem para os cofres públicos ao mesmo nível que o restante tecido empresarial. Também não parece haver qualquer tipo de interesse - cá dentro e lá fora - em atacar a sério as off-shores, esses extraordinários instrumentos legais de fuga ao fisco. Estima-se que, em 2007, havia 26 mil milhões de euros colocados por cidadãos ou empresas portuguesas nestes paraísos fiscais. Se esta verba ficasse em Portugal e fosse utilizada na compra de bens ou serviços, só com o IVA correspondente, o Estado arrecadaria 5,2 mil milhões de euros.
Para além do aumento de impostos sobre os que não têm forma de fugir ao fisco, a venda de empresas públicas vai ser outro expediente para arrecadar dinheiro fácil. Também aqui não há nada de novo. A receita é antiga e tem sido catastrófica. Venderam-se participações em grandes empresas construídas com o sacrifício e os impostos dos portugueses, estourou-se o dinheiro recebido e chegamos ao que chegamos. Três dessas empresas foram a Galp, a REN e a EDP que, juntas, tiveram 1.370,9 milhões de euros de lucros em 2009. Se ainda fossem detidas a 100% pelo Estado português, essa verba reverteria na totalidade para os cofres públicos. Assim, vai direitinha para a elite empresarial nacional e estrangeira que nelas investiu. Ah, e também para os grandes gestores que brilhantemente conseguiram fazer com que dessem lucro. Por acaso, são empresas que até um miúdo de 9 anos conseguiria colocar a dar lucro, mas, enfim…
Até ao fecho desta edição, também não vi nenhum iniciativa séria para acabar com o conjunto enorme de comissões, grupos de trabalho, empresas municipais, institutos públicos e parcerias público-privadas, daquelas em que o Estado entra com o dinheiro e o risco e os privados ficam com o lucro.
Provavelmente, por distracção minha, também ainda não vi os economistas, gestores e políticos do sistema, aqueles que todos os dias aparecem nos jornais e na televisão a exigir austeridade, a disponibilizarem-se para dar o exemplo, prescindindo, por uns tempos, dos seus belos ordenados ou reformas para ajudarem na heróica missão de salvar Portugal.
Já me esquecia que propor uma coisa dessas é uma atitude “populista” e “demagógica”. O pouco com que cada um iria contribuir não serviria para tapar o défice. Pois, mas também aquilo que cada um de nós vai pagar não serve para nada. É o conjunto de todas essas verbas ‘ridículas’ que pode servir para impedir que a malta vá à falência.

(Título da crónica gamado a uma música dos Rádio Macau)

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