(ENTREVISTA A ÁLVARO BILA, O NOVO PRESIDENTE DOS BOMBEIROS - PARTE II)
Julgo que, recentemente, há serviços que eram assegurados pelos bombeiros, nos quais o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) agarrou. Que serviços são esses e de que forma esta situação vai prejudicar os bombeiros de Portimão?
Os bombeiros fazem serviços que são pagos pelos INEM. No entanto, desde há algum tempo, que esta entidade colocou cá uma viatura e, por isso, passámos a prestar menos serviços, com consequências negativas ao nível das receitas. É também por isso que digo que vamos ter que reestruturar os nossos serviços. Se há menor actividade a este nível, ficamos com mais gente disponível para fazer serviços de transporte de doentes para Lisboa.
O quartel dos bombeiros tem muitos espaços e salas no seu interior. Estão bem aproveitados? Por exemplo, o consultório médico, está a funcionar bem e a trazer receitas para a corporação?
O consultório médico está a trabalhar bem. Depois, temos o nosso pavilhão que, actualmente, e graças a um acordo feito com a autarquia, tem uma boa utilização, funciona diariamente. Para além destes, há outros espaços que poderemos dinamizar melhor, realmente, o quartel é grande, e vamos tentar encontrar formas de os rentabilizar ainda melhor.
Com o grau de exigência e de formação que é exigido aos bombeiros, acha que continua a justificar-se o voluntariado ou isso terá tendência a acabar?
A palavra ‘voluntários’ existe mas os bombeiros que estão na nossa associação e prestam serviço no dia-a-dia são todos pagos. Depois, há realmente voluntários, pessoas que dão muitas horas e trabalho à associação, e que são uma grande ajuda, mas os que asseguram a actividade corrente da corporação são remunerados.
O modelo existente deve continuar ou, como está a acontecer noutros concelhos, como, por exemplo, Faro, a associação deve transformar-se em municipal?
Se a corporação se transformasse em municipal, isso iria trazer muitos custos para a autarquia, até porque a estrutura iria ser diferente, os horários de trabalho e serviços a realizar, também. Obviamente, a Câmara passaria a suportar todas as despesas com o pessoal, com a manutenção do equipamento e com a aquisição de novas viaturas, enquanto que, actualmente, temos apoio financeiro da autarquia, mas também outras fontes de financiamento. Tendo em conta que prestamos um bom serviço, a população e a autarquia lucram o actual modelo. Devíamos era ter mais sócios, maior apoio da população para conseguirmos adquirir melhor equipamento, ter bombeiros ainda melhor preparados para prestarmos um serviço de nível superior ao que já temos e que é bastante bom. Para isso, há que desenvolver iniciativas no sentido de abrir mais a associação à população.
Que iniciativas serão essas?
Queremos ir às escolas, mostrar às crianças e jovens o que são e o que fazem os bombeiros. Também é nossa ideia levar a população ao quartel, através da realização de cursos temáticos, em que ensinamos as pessoas a trabalhar com extintores, a adoptarem atitudes de prevenção e a saber o que fazer em caso de emergência.