Entrevista a Manuel da Luz (I)


Posted December 31st, 2009 by jorge No Comments »


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A construção de vários grandes centros comerciais junto à principal entrada de Portimão (a das Cardosas) não vai causar grandes problemas de circulação naquela zona?
O único Centro Comercial que está projectada e aprovado é o que está em construção, na zona da Boavista. De resto o que foi aprovado foi uma área para comércio e serviços na zona do Poço Seco que se encontra englobada no Plano de Pormenor das Taipas. Refira-se que com a execução deste este plano vai ocorrer uma alteração profunda nessa entrada de Portimão, nomeadamente com o aumento da via, de quatro para seis faixas de rodagem, com a construção de uma rotunda onde agora existe uma bomba de combustível e de um viaduto que permitirá acesso directo para a zona de Coca-Maravilhas. Por fim, será construído um novo acesso ao hospital, pelo Noroeste, que permitirá acabar com os constrangimentos actualmente existentes.
Por outro lado, iremos promover a alteração da via V5, no troço entre a rotunda da Boavista e a Igreja da Penina, que vai ter o perfil de 4 faixas de rodagem.

Não lhe parece que esta crise veio, de alguma forma, mostrar que é um grande risco o Algarve apostar quase exclusivamente no turismo? Os problemas são gerais, mas não são tão sentidos nas regiões mais agrícolas, em que as pessoas ainda têm o hábito de semear, criar animais ou, devido à menor concorrência das grandes superfícies, conseguem ir mantendo o seu pequeno negócio ou comércio. No Algarve, e em Portimão, pôs-se os ovos todos no turismo, as pessoas largaram os campos, outras foram obrigadas a desfazer-se dos seus negócios e agora sentem muito mais os efeitos da crise e do desemprego. Não é altura de mudar de rumo?
Entre os mais diversificados requisitos, é exigido aos decisores políticos que tenham uma visão de futuro para o desenvolvimento da localidade, região ou mesmo país que representam.
Por exemplo, no caso do cinema estamos a falar de uma ideia que progressivamente se tem vindo a materializar em projectos e iniciativas que têm mobilizado os mais diversos especialistas da indústria do cinema e que têm sido bem acolhidos pela opinião pública portuguesa.
É minha profunda convicção de que estamos perante uma oportunidade de contrariar o modelo de desenvolvimento desta região, combatendo a sazonalidade do Turismo e acrescentando sustentabilidade, uma vez que estamos a criar novas oportunidades para os empreendedores e alternativas de emprego qualificado para os jovens.
Por outro lado, penso que devia de haver uma aposta em áreas como a Saúde e o Turismo geriátrico para que a economia da região tivesse mais sustentabilidade.

De há uns anos a esta parte, foi ‘decretado’ que se deviam construir montes de empreendimentos turísticos de cinco estrelas. Não receia que eles venham a ficar às moscas?
Se tudo ficasse como estava é que efectivamente corríamos esse risco. Ou seja a oferta hoteleira tem de acompanhar a evolução e as tendências do mercado. Aliás foram diversos estudos de mercado que apontaram para a necessidade de alterar a oferta hoteleira do Algarve, nomeadamente através da requalificação e valorização da existente e da construção de novos hotéis de 5 estrelas.
Por outro lado, é fundamental redireccionar a promoção externa do destino, nomeadamente com campanhas agressivas nos principais países emissores de turistas, concentrando as grandes verbas da promoção nesses mercados.

De que forma a passagem dos imóveis da Câmara para uma empresa municipal vai ser positiva para os portimonenses? Que estratégia está definida para resolver os problemas financeiros da autarquia, em especial, o pagamento atempado aos fornecedores?
Não vai haver passagem de património para uma empresa municipal, o Fundo Imobiliário será criado e gerido pela Câmara Municipal de Portimão.
Com esta decisão o património da autarquia passa a ser rentabilizado de uma forma mais rigorosa, nomeadamente a sua manutenção e valorização.
Por outro lado, com a colocação de unidades de participação do Fundo Imobiliário no mercado, vão gerar-se mais-valias, uma vez que o património registado da autarquia vai ter um valor actualizado.
Essas mais-valias representam um importante encaixe financeiro para a autarquia numa altura em que estamos em contra-ciclo.
No que diz respeito aos problemas financeiros, houve a necessidade de reagir rapidamente face à diminuição das receitas da autarquia em mais de 30%. Negociou-se com os principais fornecedores e com a banca o pagamento das dívidas. De qualquer forma o prazo médio de pagamento da Câmara Municipal de Portimão está na média nacional.
No entanto, estamos a preparar um plano de equilíbrio económico e financeiro, que vamos apresentar em breve e que passa por um conjunto de medidas de optimização da gestão municipal, nomeadamente a redução de custos de funcionamento e novas formas de receita, por exemplo, queremos taxar as mais-valias imobiliárias.

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