O ‘vício’ do coleccionismo
Posted August 5th, 2010 by jorge Comments Off Flexibom Light
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Começou há mais de trinta anos a “juntar” um vasto conjunto de documentos, livros, fotos e postais sobre a vida portimonense. Hoje em dia, Manuel Mendonça é possuidor de um valioso e muito interessante espólio, através do qual se pode seguir a vida do concelho ao longo dos anos.
Manuel Mendonça tem o ‘vício’ do coleccionismo. Ao longo de cerca de três décadas “juntando” todo o tipo de postais, fotografias, documentação e livros relacionados com o Algarve, em geral, e com Portimão, em particular. Começou “influenciado pelo João Tavares, que era a pessoa que mais postais antigos tinha de Portimão, e pelo Palhinha”. Agora conta com um espólio imenso que guarda em 80 álbuns e várias prateleiras.
Através dos postais e das fotografias, pode fazer-se uma viagem por Portimão, ao longo dos anos. Por exemplo, ‘descobrir’ que, em tempos, existiram uma salinas; que se faziam grandes batalhas das flores, no rio, envolvendo um número considerável de embarcações e que, na Praia da Rocha, por volta do início do século XX, com um figurino urbanístico muito diferente do actual, se realizavam touradas, em improvisadas praças de touros.
É também muito curioso depararmo-nos com fotografias das mesmas ruas, tiradas em períodos muito diferentes, que nos permitem seguir a evolução urbanística da cidade.
Este material é conseguido por diversas formas. “Alguns postais e fotos são-me dados por pessoas conhecidas, outros, peço emprestados e faço cópias, e outros ainda, adquiro em feiras”. Um dos ‘tesouros’ que mostra com maior orgulho retrata um grupo de bombeiros, fotografia que “deve ser das mais antigos existentes”. No entanto, não consegue determinar nem em que ano nem onde foi tirada. Muito do material que lhe vai parar às mãos não tem qualquer indicação e, por isso, precisa, frequentemente, de desenvolver “um trabalho quase de detective” para conseguir descobrir o local e as pessoas que nela aparecem, bem como a altura em que foram tiradas.
Um desses casos ocorreu com uma fotografia que representa um bodo aos pobres realizado na Praia da Rocha que, segundo uma legenda aí inscrita, foi feito para comemorar o facto de Luíz Bordas ter resgatado ao mar Luís Maravilhas e sua filha Carolina. Manuel Mendonça, tentou por vários meios, inclusivamente, recorrendo a estudiosos de história local, determinar a data em que tal feito terá ocorrido. Não lhe conseguiram dizer e só mais tarde conseguiu, por acaso, encontrar um documento, em que sob a forma de verso, se contava a história que, pelos vistos, terá acontecido por volta de 1904.
Um dos conjuntos de fotografias de que mais se orgulha é da autoria de Eduardo Portugal, e data dos anos 30. Era uma altura em que ninguém ainda sonhava com supermercados ou hipermercados e, praticamente, tudo se comprava e vendia nas feiras e mercados realizados a céu aberto. E, tal como nos actuais grandes espaços comerciais, havia material para todos os gostos e necessidades. Havia mercados de cântaros, mercados de vassoura e, até, mercados de baraços…
Outro conjunto de postais que mostra é de 1904 e faz parte da Colecção J.Prazeres. Outro momento importante que tem registado no seu espólio é a construção da ponte ferroviária de Portimão.
Mas também o ‘elemento humano’ está bem presente na sua colecção. Um conjunto de fotografias retrata, através de grandes planos, “vendedoras da feira”. Folheando o álbum aponta para uma, do “Zézinho dos Cordões” e, mais à frente, “do engraxador da Casa Inglesa e de um tecelão que havia em Portimão”.
É com evidente prazer que Manuel Mendonça exibe estes postais e fotografias, que “não são meus, representam a cidade e as pessoas daqui, são, no fundo, de toda a gente, por isso é que não faço ‘caixinha’ e os mostro a quem quiser vê-los”.
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