A necessidade do Plano de Saneamento Financeiro
Posted August 23rd, 2010 by jorge Comments Off Flexibom Light
Até 50.000€ em 72 meses sem pagar juros nos 2 primeiros meses.
OPINIÃO - JORGE EUSÉBIO
Grandes eventos e empresas municipais - O Plano de Saneamento Financeiro da Câmara é o tema que mais tem dado que falar nos últimos tempos e, seguramente, irá continuar nos próximos.
Não é caso para menos. Cem milhões de euros de dívidas a curto prazo e mais de 200 no total é situação para causar insónias a qualquer um.
Como é que se chegou a este ponto? Essencialmente, por quatro razões: quebra das receitas; investimento forte em equipamentos culturais, escolares e outros; política dos grandes eventos e expansão do sector empresarial da autarquia.
No que diz respeito à quebra de receitas, ela decorre da crise económica que tem assolado o mundo e não há grande coisa que um município possa fazer para dar a volta a tal situação.
Quanto aos investimentos em equipamentos como o Museu, o Teatro, o Mercado, a piscina da Mexilhoeira Grande e as escolas, não me parece que haja grandes críticas a fazer. Eram equipamentos que faziam falta e que são mais-valias para o concelho. Para além disso, tiveram, em boa medida, fortes apoios comunitários, uma situação que vai deixar de ser possível.
No que me parece que se exagerou foi na realização/apoio/promoção de grandes eventos e na constituição desenfreada de empresas totalmente municipais ou com participação da autarquia.
É claro que os grandes eventos dão visibilidade às cidades e num mundo perfeito, sem problemas financeiros, justificava-se um investimento quase sem limites, a esse nível. Não é o caso e, por mais estudos que se faça, por mais teorias que se inventem, quando se decide investir num evento, ninguém sabe ao certo quais os benefícios directos e indirectos que dali irão resultar. A única certeza é que se vai ter de passar um cheque bem avultado para conseguir a sua concretização.
A teoria de que, com a realização dos grandes eventos, a Câmara perderia dinheiro, devido ao investimento, mas que haveria um retorno superior para a cidade, ao nível da facturação das empresas e da criação e manutenção de emprego, parece-me que está por provar. Se olharmos em volta, vemos que a esmagadora maioria das empresas do concelho que ainda não fecharam as portas, estão com a corda da garganta e que o número de desempregados é o maior do Algarve.
Outro dossier que também parece não ter corrido muito bem é o da expansão do sector empresarial municipal. Em determinada altura, pareceu que se começou por aí a criar empresas a torto e a direito, situação que, recentemente, teve de ser revista. Isso levou a que a Câmara tivesse que gastar mais dinheiro na criação dessas empresas, na sua capitalização, manutenção e no pessoal. Para além disso, como estas empresas não se regem pelas regras da função pública, tinham muito mais facilidade em fazer contratações, empréstimos, obras e encomendas, contribuindo, também, dessa forma, para a situação que actualmente se vive.
Posto isto, e depois de analisar o passado, de forma a que alguns eventuais erros cometidos não se repitam, o que é importante é olhar para o presente e futuro, tentando resolver a situação criada. Para isso é fundamental que este ou outro plano de saneamento financeiro entre em vigor o mais rapidamente possível. É urgente que a Câmara volte a ganhar condições para reequilibrar-se financeiramente, satisfazendo, dessa forma, a tempo e horas, os seus compromissos e planeando o futuro do concelho com tranquilidade.
|
|
|
|
|
|
|
| © Submit to Any - jjtcomputing.co.uk |






